Que bom que o Asmodeu tá carente de comentários e não
de posts...
agora vai...
Quer ser pai igual a mim?
ou você prefere ser um cara sem preocupações como o Asmodeu?
mas o meu filho não faria isso comigo,
o lendinha é um guri bacana...
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lendari0, o leão da montanha! às 1:48 PM
Vcs hein...
Vcs são mesmo de lua. Quando eu não escrevo, tem gente falando aqui a cada duas horas, quando eu e o Lenda resolvemos por as canetas para trabalhar...
Não aparece um santo infeliz pra falar um Oi!!!
Jah sei, vcs querem coisa de próprio punho né? ta saindo jah... tenho que falar sobre o voto mesmo.
Aguardem
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Asmodeu, o impuro às 2:47 AM
Terça-feira, Setembro 28
Para os Católicos
a óstia é o corpo de cristo...
então qaundo você está comendo a parada é como se você tivesse
comendo ele!
que onda...
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lendari0, o leão da montanha! às 12:05 PM
Eu ando lendo colunas de jornalistas a torto e à direita nos ultimos tempos, esta ai um emprego que eu adoraria.
Ai virão vcs me crucificar, e não sem razão, pois eu que sequer mantenho essa pocilga funcionando, como poderia ser colunista e TER que escrever?
ahhhh eu gostaria, apenas para ao invez de ter escrito aquela porcaria que eu escrevi sobre meu passado, ter esperado mais 40 anos e ter escrito isso!!
Resposta a uma moça, 50 anos depois
Outro dia, escrevendo sobre meu passado, falei de uma menina da Urca que, de longe, eu considerava minha namorada, Silvinha, moreninha de olhos verdes.
Dias depois, recebi um e-mail assim:
"Meu amigo Arnaldo, Lisonjeada fiquei ao ler sua coluna de 29/06 pp. por me ver citada em suas reminiscências.
Hoje, com 46 anos de casada, com dois filhos e dois netos, entristece-me pensar que a meninada atual não pode ter a infância livre e despreocupada que tivemos e, portanto, não terá as lembranças das peripécias próprias de cada fase. Ah, bons tempos!
Agradecendo as citações, deixo aqui um saudoso abraço.
Hoje, sou a "grisalhinha" de olhos verdes.
Silvinha" Fiquei emocionado com o e-mail e agora respondo.
Querida Silvinha, Hoje, mais de 50 anos depois, vou dizer o que sentia por você. Você foi o que eu imaginava o que seria uma namorada. Você despertou em mim um tremor novo, a primeira emoção do que mais tarde vi que chamavam "amor". Em uma tarde cinzenta, em frente do portão de sua casa, eu senti uma alegria inesquecível como se tudo ali estivesse no lugar perfeito: a brisa leve da tarde, a paz da rua, o silencio sem pássaros, você encostada no portão marrom do jardim e, não sei por que, senti uma felicidade insuportável, como se ouvisse o calmo funcionamento no mundo. Percebi confusamente que ali, no teu sorriso, ou olhos, ou boca, estava a explicação do sol filtrado em listras entre as folhas da árvore, e a perfeição do som agudo que tirei da folha de fícus enrolada como uma flautinha vegetal, instrumento que hoje os garotos não conhecem mais.
Esse foi um momento que me ficou nos últimos 50 anos. Depois, uma brincadeira também esquecida: "casamento japonês", em que se escolhia uma menina a quem se perguntava: "Pêra, uva ou maçã?"; você disse "uva" e eu beijei timidamente seu rosto, sentindo-me, em seguida, a voar por cima do seu jardim, vendo as casas da Urca lá embaixo. E, assim, você ficou de namorada oficial de minha infância imaginária.
Não sei por que, Silvinha, sempre tive fascinação por meninas que me deixavam arrebatado e com medo ao mesmo tempo, sempre de algum modo as meninas que me atraíam me pareciam inatingíveis, etéreas, como se fossem destinadas a outros e não a mim... e essa impossibilidade aumentava meu fascínio de "ierro".
Aliás, devo te confessar hoje, 50 anos depois, que você não foi a única.
Márcia corria de bicicleta pela pracinha e só tinha olhos para o Porcolino e olhava com desdém sorridente para minha tentativa de alcançá-la na bicicleta e eu via suas pernas sob a saia que ventava e a bicicleta parecia deixar um rastro de cometa de Márcia; também, mais tarde, ainda sem te esquecer, confesso que me apaixonei por Ciomara que, percebendo meu interesse tímido, aplicou-se em me espezinhar, tendo eu sofrido muito vendo-a cantar provocativamente "Vivo esperando e procurando Cervantes no meu jardim", uma versão da música Four-leaf Clover, um sucesso na época, que ela adaptou para conquistar Cervantes, o belo half-back do time Arsenal. Ciomara me fez sofrer, vendo-a de mãos dadas com ainda outro, para espicaçar também Cervantes, não eu, debaixo dos flamboyants carregados de flores vermelhas.
Devo dizer também que fui crescendo e enlouqueci de um amor mais carnal por uma moça mais velha, Isadora, de pernas lindas no maiô roxo Catalina, alva, de boca rubra com muito batom. Daí para frente, Silvinha, já adolescente, comecei minhas incursões pelo mundo do pecado, sempre instruído por meu professor de sacanagens, o saudoso pipoqueiro Bené, que você certamente conheceu, ele que me induzia às mais pecaminosas ações solitárias, dando-me revistinhas de mulher nua, ainda ingênuas, como Saúde e Nudismo, cheias de moças azuis, deitadas em praias remotas. Nessa época, eu já vivia em Copacabana, na casa de meu avô, onde eu tinha mais liberdade que sob as ordens de mamãe. Lá no posto 6, no escuro dos cinemas, as primeiras namoradas se retorciam e se recusavam ao assédio a seus desejados peitinhos, me deixando desesperado e enroscado em intrincados sutiãs cheios de presilhas e elásticos, que me impediam de chegar à maciez dos seios ocultos, enquanto tiroteios rolavam na tela e eu me embaraçava nas terríveis teias das alças, de onde saía exausto com dores nos rins de tanto ardor insatisfeito.
Depois, Silvinha, continuei minha trilha pelos caminhos que se abriam para os jovens solitários daquela época: as casas de pecado do Catete, os famosos "rendez-vous", o que nos fez dividir as mulheres em "santas" e "prostitutas", ficando as santas como você em nossa memória iluminada e as outras sendo fonte de erros e sofrimentos. Todas, então, santas e bruxas, eram intangíveis, todas impossíveis. Veja como se formavam os jovens nos anos 50 para o amor.
Não conversamos nunca, Silvinha, você nem soube que era minha namorada secreta, e vivemos este meio século em mundos diversos. Você deve ter sido feliz, com filhos e netos, seguindo a trilha natural que saía do seu jardim, enquanto eu tive um caminho mais torto talvez, sempre meio fora das coisas que eu via acontecer.
Tenho inveja das estradas largas e sadias e talvez eu tivesse sido mais feliz, se tivesse feito a Escola Naval como meu pai queria, e hoje fosse um orgulhoso almirante comandando cruzadores pelos mares do meu Brasil.
Mas, não posso me queixar de nada, casei várias vezes, tive duas filhas e um filho maravilhosos, chorei muitas vezes de dor-de-corno e de desentendimento, mas não posso me queixar, pois além do que vivi, vejo hoje que as memórias são tão sólidas quanto as realidades, que muitas vezes se esvaem mais rápido que aquelas. Você, de quem nem lembro o rosto, ficou como uma primeira sensação do que chamam de amor. E como diz o poeta: "...as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão..."
Beijo tardio do Jabor
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Asmodeu, o impuro às 5:38 AM
Segunda-feira, Setembro 27
o mar me chama,
ela me chama,
a vida me chama,
mas está tudo assim
distante de mim...
Vou voltar para o meu lugar,
reencontrar pessoas,
não pessoal ainda não é meu post de despedida,
mas é quase!
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lendari0, o leão da montanha! às 1:02 PM
Domingo, Setembro 26
Como dizia Jack, o estripador "vamos por partes"
1)Não, eu não desisti de escrever aqui.
2)Não obstante, eu to pensando em fechar o boteco por uns tempos.
3) Sim, eu posto a história da barata antes disso.
4) agora, texto do Jabor pra vcs
O mundo de hoje é travesti
Está rolando na internet um texto ridículo sobre "mulheres" atribuído a mim.
Sou uma besta, todos o sabem; mas, não chego a esse relincho lamentável do asno que o escreveu. Diz coisas como: "A mulher tem um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro." Uma bosta, atribuída a mim. Toda hora um idiota me copia e joga na rede. Por isso, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida. Não falarei das coxas e seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre.
Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro.
Podem ser as maiores executivas, mas seu corpo lateja sob o tailleur e lá dentro os órgãos estranham a estatística e o negócio. Elas querem ser vestidas pelo amor. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras, protegidas.
O termômetro das mulheres é: "Estou sendo amada ou não? Esse bocejo, seu rosto entediado... será que ele me ama ainda?" A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, pára de nos amar. A mulher precisa do homem impalpável, impossível. As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho. Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão amorosa: quer que o homem a entenda, mas isso está fora de nosso alcance. A mulher pensa por metáforas.
O homem por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim. Não estou falando da mulher sociológica, nem contemporânea, nem política. Falo de um sétimo órgão que todas têm, de um "ponto g" da alma.
Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto. Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira um corpo sem órgãos, você vira também uma mulher abandonada.
Toda mulher é "Bovary"... e para serem amadas, instilam medo no coração do homem. Carinhosas, mas com perigo no ar. A carinhosa total entedia os machos... ficam claustrofóbicos. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor. Mas, curioso, a mulher nunca é corna, mesmo abandonada, humilhada, não é corna. O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. É uma fúria de Deus, é uma vingadora, é até suicida. Mas nunca corna. O homem corno é um palhaço. Ninguém tem pena do corno. O ridículo do corno é que ele achava que a possuía. A mulher sabe que não tem nada, ela sabe que é um processo de manutenção permanente. O homem só vira homem quando é corneado.
A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada... pois está sempre se sentindo assim. Como no homossexualismo: a lésbica não é viado.
A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que a mulher seja do bem e o homem do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo "me come todinha". Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe.
O masculino é certo; o feminino é insolúvel. O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa "plenitude" seja um "living" bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem... é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí , dança...
A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice.
Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher.
As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo travesti. O mundo hoje é travesti
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Asmodeu, o impuro às 3:50 PM
Sexta-feira, Setembro 24
well I just typed a pretty long post and decided to erase all of it. I don't wanna have a pity party or venting-fest so... this is my post. plain and simple.
hi
vou continuar postando em inglês por um tempo!
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lendari0, o leão da montanha! às 10:06 AM
Quarta-feira, Setembro 22
The Two Rules for Priests 1) Communicate [vision, God's love, etc]
2) Delegate [gutters, raking leaves, putting stamps on letters]
The two Rules for legends
1) Follow no rules...
2) Drink a lot, fuck a lot, scream a lot, a don´t forget the rule number one...
post em inglês, tô massa...
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lendari0, o leão da montanha! às 2:35 PM
Segunda-feira, Setembro 20
Quem quer sofrer uns ataques fisicos da musa mirim do Vaca de Alabarda?
Tá... entao qdo eu for p/ tua casa no Natal (ou antes)
de novo eu parto logo p/ fisico, ok? :p hahaha
Rê | Email | 09.17.04 - 11:03 pm | #
esse ataque que está preparado é para o Asmodeu, eu já me inscrevi como segundo,
está ai pessoal, se inscrevam nos comments...
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lendari0, o leão da montanha! às 5:16 PM
Quinta-feira, Setembro 16
a essencia dos blogs, dos blogueiros
é isso que me motiva e falta isso nos outros escritores do vaca...
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lendari0, o leão da montanha! às 2:31 PM
Quarta-feira, Setembro 15
Enquanto isso nos comments...
mas eu nãoq fiquei brava esse smile era para sair a acrinha de tristeza,
coitadinha memso..mas eu quero ser linkadaaaaaaaaaaaaa...
ou isso, ou entro de greve :P
bruxinha | Email | Homepage | 08.31.04 - 8:29 am | #
e ai e essa greve...
ameaça não cumprida leva as pessoas a não levarem você a sério!
hehehehe
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lendari0, o leão da montanha! às 4:30 PM
Terça-feira, Setembro 14
finalmente descobri
depois de muito pensar, e repensar em porque no vaca tem poucos post e ainda mais pq atualizo tão pouco cheguei a unica conclusão possível... agente escreve pouco pq é chato pra kct!!!
Sério mesmo, eu por exemplo. Escrevo pouco pq não gosto de postar texto pequeno, apago umas 3 vezes cada texto que eu escrevo antes de postar pq acho que ficou ruim e finalmente... só escrevo quando acho que é relevante, ou quando estou de bom humor... se achar algo engraçado. Como eu ando de mau humor a história da barata vai continuar na gaveta(nota mental: melhora meu humor)
Fora isso ainda tem o Lenda que só escreve aqui quando escreveu algo no exilio que o fez refletir que essa bagaça está muito às moscas, o Affirma que só escreve aqui quando as feministas de são carlos dão uma cochilada e ele consegue fugir e o lucifer que só escreve quando ele não consegue realmente achar mais NADA para fazer e digo mais NADA MESSSMO!!!
ou seja, nós somos todos chatos e rabugentos... não sei pq vcs gostam da gente viu :P
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Asmodeu, o impuro às 5:00 PM
De afrodisíacos Tenho um pouco de pudor de contar, mas só um pouco, porque sei que vou acabar contando mesmo.
É porque lá em casa a gente não podia falar nem diabo, que levava sabão, quanto mais... ah, no fim eu falo.
Coisa do Teodoro, ele quem me contou, você sabe, marido depois de um certo tempo de casamento
fala certas coisas com a mulher. O seu não fala? Pois é, e de novo tem um tempão que aconteceu.
Lembra aquela história dos queijos? Igual. Demorou um par de anos pra me contar. O pessoal dele é assim,
sem pressa. Tem uma história deles lá, que o pai dele, meu sogro, esperou 52 anos pra relatar.
Diz ele que esperou os protagonistas morrerem. Tem condição? Mas o Teodoro ? foi quando a gente
mudou pra casa nova ? teve de ir nas Goiabeiras tratar um marceneiro e passou, pra aproveitar,
na casa da tia dele, a Carlina do Afonso, e encontrou lá o Gomide. Tou encompridando, acho que
é só por medo do fim, mas agora já comecei, então. Então, diz o Teodoro, que o Gomide tirou
do bolso do paletó uma trouxinha de palha de milho, cortadas elas todas iguaizinhas e amarradas
com uma embirinha da mesma palha. Escolheu, escolheu, pegou uma bem lisa e bem branquinha,
tirou o canivete do outro bolso, lambeu a palha pra lá, pra cá, e ficou um tempão lhe passando firme a lâmina,
do meio pras pontas, de ponta a ponta, entremeando com lambidas. Depois, ainda segurando
a palha entre os dedos, foi a hora de tirar e picar o fumo de rolo bem fininho. Ia picando e pondo
na concha da mão. Acabou, guardou o rolo e ficou socavando o fumo na mão com a ponta do canivete.
Depois pegou a palha, mais uma lambida e foi pondo nela o fumo, espalhando ele por igual na canaleta formada,
pressionando bem pra ficar bem firme. Deu mais uma lambida na parte mais próxima do fumo e com
os polegares e indicadores foi enrolando o cigarro devagarinho, uma enrolada e uma lambida,
uma enrolada e uma lambida. Com o canivete dobrou uma das pontas para o fumo não escapar,
tirou a binga do bolso, acendeu e pegou a pitar. Agora é que vem, ai, ai.
Teodoro falou que o tempo todo da operação ele não despregava o olho daquilo.
Disse que nem sabe o que tia Carlina arengava, só punha sentido no Gomide fazendo o pito.
Diz ele que foi uma coisa tão esquisita ? esquisita, não ?, tão encantada que ele ficou de pau duro.
É isso. Falou também que ficou doido pra sair dali, comprar palha, fumo de rolo e
repetir tudo igualzinho ao Gomide. Eu entendo. Quando conheci o Teodoro, ele fumava e
eu achava muito emocionante. Tenho muita saudade de quando não existia essa amolação de cigarro dar câncer,
nem de mulher ser magra. A gente tinha mais tempo para o que precisa, não é mesmo?
Será que faz mal mesmo? Colesterol, depois de tanto barulho, estão falando que já tem do bom.
Qualquer dia vou pedir ao Teodoro pra dar uma fumadinha, só pra fazer tipo.
Adélia Prado - Filandras
me lembrou da minha história do dentista,
só que ela é famosa e eu não...
Postado por:
lendari0, o leão da montanha! às 10:55 AM